quarta-feira, 20 de julho de 2016

O Dia do Amigo e a fábula do Pequeno Príncipe




Hoje, dia 20 de julho, se comemora o Dia do Amigo. A data é comemorada no Brasil, na Argentina e no Uruguai, mas em 2011 a Assembleia Geral das Nações Unidas convidou todos os países a celebrarem esta data em 30 de julho, dentro do projeto da “Cultura da Paz”. Várias celebrações similares são vistas em distintos países da América do Sul e Europa em diferentes datas.
Um dado histórico sobre o Dia do Amigo é a “Cruzada Mundial da Amizade”, com o objetivo primordial de fomentar a cultura da paz, valorizando os laços de amizade entre os seres humanos e idealizada em 1958 pelo médico Ramón Artemio Bracho no Paraguai. Na Argentina, o médico Enrique Ernesto Febbraro propôs o dia 20 de julho, data da chegada do homem à Lua, pois, segundo ele, este feito demonstra que, quando unidos, não há objetivos impossíveis para os homens.
No Brasil a data não foi institucionalizada por lei, mas é amplamente difundida e comemorada. E quem não viu inúmeras manifestações de amizade nas redes sociais no dia de hoje? Isso é uma prova de que no ideário popular hoje é um dia especial.
E, falando em “amigo”, um nome que é sempre “lembrado”, ao menos difundido em mensagens de forte caráter emotivo, é o do menininho enigmático de cabelos cor de ouro e que que habita o asteroide B 612, chamado de “O Pequeno Príncipe”.
Este personagem, que dá nome ao livro, foi criado pelo escritor, ilustrador e piloto francês chamado Antoine Jean-Baptiste Marie Roger Foscolombe, popularmente conhecido como Antonie de Saint-Exupéry, em 1943 e é, sem dúvida, o livro de maior sucesso do autor.
Um detalhe sobre Antonie de Saint-Exupéry e que, talvez, poucos admiradores da sua obras saibam, é que o mesmo desapareceu em um voo sobre o Mar Mediterrâneo em 31 de julho 1944 (um ano após o lançamento de seu livro), quando combatia os alemães, pela França, durante a segunda Guerra Mundial. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilômetros da costa de Marselha, porém seu corpo nunca foi encontrado.
A maioria de suas obras foram caracterizadas por alguns elementos em comum, como a aviação e a guerra. Antonie escreveu diversos artigos para várias revistas e jornais da França e outros países, sobre a guerra civil espanhola e a ocupação alemã da França, motivo pelo qual, para muitos, era difícil imaginar que um livro assim pudesse ter sido escrito por um homem como ele. Dentre suas obras estão: O aviador (1926); Correio do Sul (1928); Voo Noturno (1931); Terra de Homens (1939); Piloto de Guerra (1942); O Pequeno Príncipe (1943); Cartas a um refém (1944); Cidadela (obra póstuma - 1948).
No livro de Renée Zeller, A vida secreta de Antonie de Saint-Exupéry (Madras, 2006), o biografo relata que:
 
Desde cedo, sentiu uma grande vocação para a aventura. Foi aluno problemático no Colégio de Jesuítas Notre Dame de Saint Croix, freqüentemente castigado pelo desinteresse nos estudos e punido pela desordem no material escolar. Sua maior ambição era ser oficial da marinha, mas ao ser reprovado no exame de admissão, optou pela aviação. Ao ser chamado para o serviço militar, alistou-se no 2º Regimento de Aviação de Caças, em Neuhof, perto de Estrasburgo. Seis meses de instrução em Rabat fizeram dele um piloto de guerra com graduação de segundo tenente. (fonte: saraiva.com.br)
 
Repleto de frases tocantes, a fábula de Saint-Exupéry foi traduzida para mais de 250 idiomas e dialetos e teve mais de 150 milhões de cópias vendidas em todo mundo, além de 16 adaptações laçadas para TV e cinema.
“O Pequeno Príncipe” é uma obra aparentemente simples. Aparentemente!
Ainda que tenha sido criada como uma obra infantil, Le Petit Prince, título original francês, possui forte apelo psicológico, com personagens complexos e simbólicos como: o rei, que pensava que todos eram seus súditos; o contador, que não tinha tempo para sonhos; o geógrafo, que se achava intelectual, mas não sabia a geografia do próprio país; o bêbado, que bebia para esquecer a vergonha de beber; a raposa, que lhe ensinou o sentido de amizade; a rosa, que era bonita porém muito vaidosa; a serpente e, é claro, o menino que vive sozinho em um minusculo “planeta” que tem apenas três vulcões, sendo dois deles em atividade, e uma bela flor. É só o que se sabe sobre o planeta do Principezinho!
O autor do livro é o personagem principal da história, e assume o papel de narrador.
Tudo começa no dia em que seu avião caiu no meio do deserto do Saara. O narrador tenta consertar seu avião, mas exausto e sem conseguir fazê-lo, adormece e ao despertar encontra um menino que o pede para desenhar um carneiro numa folha de papel. É a partir daí que o Pequeno Príncipe começa a narrar sua viagem até a Terra e as aventuras pelas quais passou até chegar ali. O relato das fantasias de uma criança como as outras, que questiona as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade criou frases belíssimas e que fazem da obra de Saint-Exupéry uma das mais conhecidas, até para quem não a leu!
 
“O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração”
“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante”
“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz”
“As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes”
“É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou”
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”
 
É através da reflexão de valores e das experiências vividas pelo Pequeno Príncipe, que o leitor é levado a repensar seus julgamentos equivocados que o colocam em um local sombrio: a solidão. Além disso, o leitor é convidado a reviver sua infância, e a maneira como tornou-se um adulto preocupado unicamente com questões diárias, distanciando-se da criança que ainda carrega dentro de si.




terça-feira, 19 de julho de 2016

Griselda - Amparo Dávila



La muchacha rubia se detuvo unos instantes, indecisa, frente a la puerta entornada, pero se decidió por fin a entrar. No dejó de extrañarle el total abandono del jardín, donde apenas se podía caminar por la maleza que todo lo invadía, hasta el sendero que llevaba hacia la casa, que se veía al fondo entre los altos árboles. Las plantas crecían desordenadamente: sin duda hacía tiempo que no habían sido podadas. El sol de las cuatro de la tarde era abrasador, deslumbrante, y la muchacha tenía que colocarse las manos a modo de visera para poder caminar. Un pájaro que voló a su paso la hizo sobresaltarse, y el suéter negro se quedó prendido entre las ramas espinosas de un rosal de Castilla. Lo desprendió con todo cuidado para no romperlo y resolvió llevarlo sobre el brazo. Se sentía nerviosa por haber penetrado en esa finca de una manera tan incorrecta; pero no había resistido la tentación de conocer la vieja residencia que ella siempre veía cerrada y probablemente sola, cuando pasaba en su diaria caminata hacia el correo de San Jerónimo. Esa, si se la podía llamar pequeña aventura, era instantes la monotonía de su existencia, reducida a oír las eternas lamentaciones de su madre. En eso pensaba la muchacha rubia cuando llegó hasta la orilla de una alberca, que las plantas y los árboles ocultaban. Una mujer vestida también de negro se encontraba sentada en una banca bajo la sombra de un álamo. Al descubrirla, la muchacha pensó regresarse; pero la mujer ya se había percatado de su presencia, a causa de la ruidosa hojarasca.
—Perdone usted, señora, que haya entrado así, pero no resistí la curiosidad de conocer esta finca, que siempre, me ha intrigado por su soledad.
—Desde hace; años está abandonada, yo soy la única que viene de vez en cuando pero, no se vaya, quédese un momento a platicar; por favor, siéntese usted.
La joven titubeó y quiso inventar alguna disculpa: "sería bastante descortés no aceptar, después de haber entrado así..." Y se sentó en el extremo de la banca.
—Me llamo Griselda —dijo por toda presentación; la mujer que usaba unas gruesas gafas oscuras.
—Yo, Martha —correspondió la muchacha, y comenzó a observarla de reojo. Debía tener cincuenta; años o más. El cabello canoso conservaba aún algunos mechones negros. No usaba maquillaje y las gafas impedían apreciar bien sus facciones. Sin embargo, se podía advertir que aún era una mujer guapa, una mujer que debió ser muy hermosa.
—Uno siempre vuelve al sitio de sus recuerdos —dijo Griselda, como si tratara de explicar su presencia en aquella finca abandonada.
—Es verdad —contestó Martha—. Nosotros, es decir mi madre, se empeña en buscar los recuerdos de papá. Él murió hace poco tiempo.
—Cuánto lo lamento.
—Mi madre está inconsolable y quiso que nos viniéramos una temporada aquí, en donde pasábamos siempre las vacaciones y que a papá tanto le gustaba. Pero, más que otra cosa, yo sé que mamá quiere estar lejos de la ciudad y de todos. Usted sabe, yo a veces temo que ella...
—Sí, es duro y muy difícil resignarse a esas pérdidas, yo lo sé.
—Yo también he sentido mucho a papá, pero… yo tengo esperanzas, proyectos, planes, en cambio, ella...
—Se termina todo para siempre, no queda nada ni nadie. Yo también perdí a mi marido.
Martha no supo de pronto qué decirle, conmovida por aquel tono de voz estremecido, y la desolación total que las palabras revelaban. Recordó la noche cuando su prima telefoneó para avisarle que Ricardo había muerto en Nueva York. Todo se había detenido en aquel instante, como si el tiempo y la vida misma se pararan de golpe. Se había quedado anonadada, sin saber qué hacer, qué pensar... Reparó entonces en el largo silencio en que había caído y trató de disculparse:
—Mi primer novio murió, murió repentinamente. Nos conocíamos desde niños y fue un golpe terrible.
—También él murió cuando yo menos lo hubiera creído. Era aún bastante joven, y nos queríamos de una manera tan...
— ¿Fue hace mucho tiempo?
Griselda no la oyó. Se había quedado ensimismada.
—Le voy a mostrar su retrato —dijo de pronto, como si volviera de muy lejos, y se quitó con manos temblorosas un medallón.
Al abrirlo, Martha encontró dos miniaturas notablemente logradas. El retrato de .un hombre y el de Griselda. Los dos eran jóvenes y hermosos; sobre todo ella con enormes ojos de un extraño color, azul, gris, verde. Un color increíble de humo verde azul. El cabello oscuro le caía sobre los hombros enmarcando un óvalo perfecto, y los extraordinarios ojos que Martha no podía dejar de admirar.
—Una bella pareja, y las copias muy fieles —y sintió que algo, por dentro, le dolía al contemplar a la mujer de ahora.
—Él fue muy guapo. Tanto, que las mujeres se volvían en la calle para mirarlo.
—Y usted también, señora, y qué ojos más increíbles los suyos, con un color como no he visto otros —dijo Martha al regresarle el medallón.
—A él también le encantaban.
— ¿Fue hace mucho tiempo? —y al terminar la pregunta Martha reparó que era la segunda vez que la hacía.
—Sí, hace años. Estábamos aquí en esta finca, a donde veníamos a pasar el verano. Entonces había muy pocas residencias y no existía carretera; se sentía uno en pleno campo, lejos de la ciudad.
—Así me siento yo ahora, desconectada por completo de mis amigos y de mis actividades; en un aislamiento que me deprime terriblemente.
—Yo fui muy dichosa en este lugar, nunca lo olvidaré...
—En cambio para mí ha sido una verdadera tortura, sin tener qué hacer ni adonde ir; oyendo todo el día las constantes lamentaciones de mamá, o mirándola llorar sin consuelo. Hay veces que no soporto más, y me desespera no poder hacer nada, nada... Por eso salgo por las tardes, aprovechando que ella duerme un poco después de comer y son las únicas horas en que descansa, porque pasa toda la noche en vela, recorriendo la casa entre sollozos. Cuando salgo voy al correo a dejar las cartas que le escribo a mi novio que está en Mérida.
— ¡Pobrecita!, es muy pesado a su edad pasar por estas situaciones. Cuando se es viejo, uno vive ya sólo de sus recuerdos, los persigue queriendo recuperarlos, como si fueran los pedazos de un objeto roto que se quisiera reconstruir.
Martha la escuchaba hablar y pensaba en la injusticia que su madre cometía con ella, al condenarla a ese aislamiento absurdo. Ya tenía bastante con haber perdido a su padre; y miraba el estanque invadido de lirios acuáticos.
—Por eso mismo no me he hecho el ánimo de vender esta finca. Aquí lo vi por última vez, aquí quedaron tantas cosas.
—Mi padre murió en México, pero mamá dice que en este lugar tiene muy bellos recuerdos y, además, como no quiere ver a nadie...
—Mi único deseo sería quedarme aquí. Sin embargo...
—¿Nunca más ha vuelto a vivir en este lugar?
—Nunca más. Sólo en tardes como ésta en que me escapo sin avisarle a nadie.
—Deben haber sido muy duros todos estos años.
—No se puede usted imaginar cuánto —dijo la mujer con voz entrecortada—. Cuando lo vi muerto pensé que ya no sería posible sufrir más; después...
—¿Y no hay posibilidad de olvidar, que con el tiempo la memoria sea menos persistente y aminore la intensidad del dolor?
—No, eso sería lo más terrible de todo, lo inadmisible. Esta búsqueda continua de recuerdos, de pequeñas cosas como un olor, un sonido, o una palabra, que reconstruyan dentro de uno lo que se ha ido, es lo único que nos queda, lo único que sostiene y ayuda a seguir viviendo.
—Así piensa también mamá.
—Siempre que vuelvo aquí regreso deshecha, casi muerta. Es por eso que no me dejan venir. Cada vez revivo todo lo que pasó aquella tarde, escucho sus palabras de despedida, lo veo partir.
—¿Se fue lejos?
—No, a México solamente. Hacía el trayecto a caballo, era un estupendo jinete. Esa vez..., esa vez yo me pasé la tarde aquí junto al estanque, bordando, hasta que anocheció. Después me fui a la casa a disponer la cena para esperarlo. Comenzó a llover. Llovía torrencialmente como llueve siempre en este lugar, y él no regresaba...
El sol estaba ocultándose; se iba la tarde. Martha miró el reloj con disimulo. Eran pasadas las seis. Su madre ya debía de haber despertado de la siesta, y la estaría esperando muy intranquila. Nunca tardaba tanto, pero ¿cómo irse ahora? No podía interrumpir el relato de la mujer.
—...yo estaba muy inquieta, como nunca lo había estado antes, con una extraña nerviosidad, como si presintiera algo. Dieron las diez, las once, habíamos recalentado la cena varias veces. Él no llegaba y seguía lloviendo, lloviendo sin cesar...
El viento refrescó la tarde y traía el perfume de los jazmines y las madreselvas. El crepúsculo se desmadejaba entre los altos árboles.
—... los relámpagos surcaban el cielo ennegrecido; no se oía el galope de su caballo, aquel galope que yo conocía hasta en sueños. Esperaba impaciente, cada vez más agitada, con un desasosiego que me roía las entrañas. De pronto entraron los mozos con él, bañado en sangre...
La voz de Griselda se deshizo en sollozos que estremecían todo su cuerpo. Martha la contemplaba muy perturbada. Hubiera querido estar ya de regreso en casa con su madre. Hubiera querido no haber entrado nunca en aquel lugar.
El olor de los jazmines y de las madreselvas comenzaba a ser demasiado fuerte, tanto que, de tan intenso, se iba tornando oscuro y siniestro, como la tarde misma y los árboles y el agua ensombrecida del estanque.
—El caballo se había asustado con un rayo —dijo Griselda recomponiéndose un poco— y lo estrelló contra un árbol.
—¡Qué terrible! —fue lo único que supo decir Martha.
—Aquella noche decidí arrancarme los ojos... -y se llevó el pañuelo a boca ahogando un grito.
También Martha había pensado hacer muchas cosas aquella noche, cuando se enteró que Ricardo había muerto en Nueva York: tirarse por la ventana, tomar pastillas, aventarse al paso de un tren…
—En esos momentos uno piensa en hacer tantas cosas absurdas. Es natural.
—...me arranqué los ojos y los arrojé al estanque para que nadie más los viera —decía Griselda quitándose las gafas y cubriéndose el rostro con el pañuelo para sollozar sordamente.
Así permaneció minutos o siglos, una eternidad, mientras el viento movía las hojas de los árboles y era como otro largo sollozo que la acompañaba.
Martha no deseaba ahora sino huir cuanto antes de aquella mujer, del trágico jardín ya en sombras y del denso perfume que la envolvía.
—Debo irme, señora, ya es muy tarde —dijo poniéndose de pie y tocando suavemente el hombro de Griselda—, mi madre ha de estar preocupada por mí.
La mujer dejó de llorar y alzó la cara. Martha contempló entonces un rostro transfigurado por el dolor y dos enormes cuencas vacías; mientras los ojos de Griselda, cientos, miles de ojos, lirios en el estanque, la traspasaban con sus inmensas pupilas verdes, azules, grises, y después la perseguían apareciendo por todos lados como tratando de cercarla, de abalanzarse sobre ella y devorarla, cuando ella corría desesperada abriéndose paso entre las sombras vivas de aquel jardín.
 


Grandes nomes da literatura hispano-americana: Amparo Dávila



Amparo Dávila nació en 21 de febrero de 1928 en Pinos, México. Ganadora de Premio Xavier Villaurrutia em 1977, estuvo casada con el pintor, escultor y dibujante mexicano Pedro Coronel. Fue la única sobreviviente entre sus hermanos debido a que su hermano mayor murió al nacer, el siguiente murió de meningitis y el último murió durante su infancia. Aprendió a amar la lectura a muy temprana edad pasando el tiempo en la librería de su padre. A los siete años se traslada a San Luis Potosí para estudiar la primaria y secundaria. Su infancia fue marcada por el miedo, un tema que aparece en algún número de sus trabajos futuros como autora. Su primer trabajo Publicado fue “Salmos bajo la luna” en 1950, seguido por “Meditaciones a la orilla del sueño” y “Perfil de soledades” en 1954. En ese mismo año se mudó a la ciudad de México donde trabajó como secretaria de Alfonso Reyes. En 1966 fue parte del Centro Mexicano de Escritores donde recibió una pensión para seguir escribiendo. En el 2008, Dávila fue reconocida por el Palácio de Bellas Artes.

Dávila es conocida por su uso de temas de locura, peligro y muerte, generalmente relacionados con una mujer como protagonista. Muchos de ellos parecen tener desórdenes mentales con tendencia a la violencia física. Muchas veces la mujer no es capaz de escapar de la locura como una forma de sobrellevar las decisiones tomadas. Ella también juega con la idea del tiempo como un símbolo de lo que no se puede cambiar.

Los personajes femeninos de sus relatos han llamado la atención de la crítica, aun cuando varios de sus protagonistas son varones. En ambos casos, sin embargo, destaca tanto lo frustrado de las relaciones interpersonales (noviazgos que no llegan a culminar en casamiento, parejas infelices, matrimonios asfixiados por la rutina) como el deseo ardiente y no satisfecho de contar con una pareja. 

Acerca del proceso creativo y la relación con el autor la encontramos en Los narradores ante el público: "No creo en la literatura hecha a base de inteligencia pura o la sola imaginación, yo creo en la literatura vivencial, ya que esto, la vivencia, es lo que comunica a la obra la clara sensación de lo conocido, de lo ya vivido, lo que hace que la obra perdure en la memoria y en el sentimiento"

En septiembre de 2013, Amparo fue homenajeada por el noveno encuentro de escritores, Literatura en el Bravo, siendo la primera mujer que recibe este galardón por dicho encuentro.

 fuente: Wikipedia.org.es 
 
 
 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

El abuelo - Mário Vargas Llosa

Cuento tomado del libro Los Jefes, Editorial Seix Barral, 1980.
        

            Cada vez que crujía una ramita, o croaba una rana, o vibraban los vidrios de la cocina que estaba al fondo de la huerta, el viejecito saltaba con agilidad de su asiento improvisado, que era una piedra chata, y espiaba ansiosamente entre el follaje. Pero el niño aún no aparecía. A través de las ventanas del comedor, abiertas a la pérgola, veía en cambio las luces de la araña, encendida hacía rato, y bajo ellas, sombras movedizas y esbeltas, que se deslizaban de un lado a otro con las cortinas, lentamente. Había sido corto de vista desde joven, de modo que eran inútiles sus esfuerzos por comprobar si ya cenaban, o si aquellas sombras inquietas provenían de los árboles más altos.

        Regresó a su asiento y esperó. La noche pasada había llovido y la tierra y las flores despedían un agradable olor a humedad. Pero los insectos pululaban, y los manoteos desesperados de don Eulogio en torno del rostro, no conseguían evitarlos: a su barbilla trémula, a su frente, y hasta las cavidades de sus párpados llegaban cada momento lancetas invisibles a punzarle la carne. El entusiasmo y la excitación que mantuvieron su cuerpo dispuesto y febril durante el día habían decaído y sentía ahora cansancio y algo de tristeza. Tenía frío, le molestaba la oscuridad del vasto jardín y lo atormentaba la imagen, persistente, humillante, de alguien, quizá la cocinera o el mayordomo, que de pronto lo sorprendía en su escondrijo. “¿Qué hace usted en la huerta a estas horas, don Eulogio?” Y vendrían su hijo y su hija política, convencidos de que estaba loco. Sacudido por un temblor nervioso, volvió la cabeza y adivinó entre los bloques de crisantemos, de nardos y de rosales, el diminuto sendero que llegaba a la puerta falsa esquivando el palomar. Se tranquilizó apenas, al recordar haber comprobado tres veces que la puerta estaba junta, con el pestillo corrido, y que en unos segundos podía escurrirse hacia la calle sin ser visto.

     “¿Si hubiera venido ya?”, pensó, intranquilo. Porque hubo un instante, a los pocos minutos de haber ingresado cautelosamente en su casa por la entrada casi olvidada de la huerta, en que perdió la noción del tiempo y permaneció como dormido. Sólo reaccionó cuando el objeto que ahora acariciaba sin saberlo, se desprendió de sus manos, y le golpeó el muslo. Pero era imposible. El niño no podía haber cruzado la huerta todavía, porque sus pasos asustados lo habrían despertado, o el pequeño, al distinguir a su abuelo, encogido y dormitando justamente al borde del sendero que debía conducirlo a la cocina, habría gritado.

     Esta reflexión lo animó. El soplido del viento era menor, su cuerpo se adaptaba al ambiente, había dejado de temblar. Tentando los bolsillos de su saco, encontró el cuerpo duro y cilíndrico de la vela que compró esa tarde en el almacén de la esquina. Regocijado, el viejecito sonrió en la penumbra: rememoraba el gesto de sorpresa de la vendedora. Él permaneció muy serio, taconeando con elegancia, batiendo levemente y en círculo su largo bastón enchapado en metal, mientras la mujer pasaba bajo sus ojos cirios y velas de sebo de diversos tamaños. “Esta”, dijo él, con un ademán rápido que quería significar molestia por el quehacer desagradable que cumplía. La vendedora insistió en envolverla, pero don Eulogio se negó y abandonó la tienda con premura. El resto de la tarde estuvo en el Club, encerrado en el pequeño salón de rocambor donde nunca había nadie. Sin embargo, extremando las precauciones para evitar la solicitud de los mozos, echó llave a la puerta. Luego, cómodamente hundido en el confortable de insólito color escarlata, abrió el maletín que traía consigo, y extrajo el precioso paquete. La tenía envuelta en su hermosa bufanda de seda blanca, precisamente la que llevaba puesta la
tarde del hallazgo.

     A la hora más cenicienta del crepúsculo había tomado un taxi, indicando al chófer que circulara por las afueras de la ciudad: corría una deliciosa brisa tibia, y la visión entre grisácea y rojiza del cielo sería más enigmática en medio del campo. Mientras el automóvil flotaba con suavidad por el asfalto, los ojitos vivaces del anciano, única señal ágil en su rostro fláccido, descolgado en bolsas, iban deslizándose distraídamente sobre el borde del canal paralelo a la carretera, cuando de pronto, casi por intuición, le pareció distinguirla.

     — “¡Deténgase!”— dijo, pero el chófer no le oyó—. “¡Deténgase! ¡Pare!” Cuando el auto se detuvo y en retroceso llegó al montículo de piedras, don Eulogio comprobó que se trataba, efectivamente, de una calavera. Teniéndola entre las manos, olvidó la brisa y el paisaje, y estudió minuciosamente, con creciente ansiedad, esa dura, terca y hostil forma impenetrable, despojada de carne y de piel, sin nariz, sin ojos, sin lengua. Era pequeña, y se sintió inclinado a creer que era de un niño. Estaba sucia, polvorienta, y hería su cráneo pelado una abertura del tamaño de una moneda, con los bordes astillados. El orificio de la nariz era un perfecto triángulo, separado de la boca por un puente delgado y menos amarillo que el mentón. Se entretuvo pasando un dedo por las cuencas vacías, cubriendo el cráneo con la mano en forma de bonete, o hundiendo su puño por la cavidad baja, hasta tenerlo apoyado en el interior: entonces, sacando un nudillo por el triángulo, y otro por la boca a manera de una larga e incisiva lengüeta, imprimía a su mano movimientos sucesivos, y se divertía enormemente imaginando que aquello estaba vivo.

     Dos días la tuvo oculta en el cajón de la cómoda, abultando el maletín de cuero, envuelta cuidadosamente, sin revelar a nadie su hallazgo. La tarde siguiente a la del encuentro se mantuvo en su habitación, paseando nerviosamente entre los muebles opulentos y lujosos de sus antepasados. Casi no levantaba la cabeza: se diría que examinaba con devoción profunda los complicados dibujos, entre sangrientos y mágicos, del círculo central de la alfombra, pero ni siquiera los veía. Al principio, estuvo indeciso, preocupado: podrían ocurrir imprevistas complicaciones de familia, tal vez se reirían de él. Esta idea lo indignó y tuvo angustia y deseo de llorar. A partir de ese instante, el proyecto se apartó sólo una vez de su mente: fue cuando de pie ante la ventana, vio el palomar oscuro, lleno de agujeros, y recordó que en una época cercana aquella casita de madera con innumerables puertas no estaba vacía, sin vida, sino habitada por animalitos pardos y blancos que picoteaban con insistencia cruzando la madera de surcos y que a veces revoloteaban sobre los árboles y las flores de la huerta. Pensó con nostalgia en lo débiles y cariñosos que eran: confiadamente venían a posarse en su mano, donde siempre les llevaba algunos granos, y cuando hacía presión entornaban los ojos y los sacudía un débil y brevísimo temblor. Luego no pensó más en ello. Cuando el mayordomo vino a anunciarle que estaba lista la cena, ya lo tenía decidido. Esa noche durmió bien. A la mañana siguiente olvidó haber soñado que una perversa fila de grandes hormigas rojas invadía sorpresivamente el palomar y causaba desasosiego entre los animalitos, mientras él, en su ventana, miraba la escena con un catalejo.

     Había imaginado que limpiar la calavera sería un acto sencillo y rápido, pero se equivocó. El polvo, lo que había creído que era polvo y tal vez era excremento por su aliento picante, se mantenía soldado a las paredes internas y brillaba como una lámina de metal en la parte posterior del cráneo. A medida que la seda blanca de la bufanda se cubría de lamparones grises, sin que disminuyera la capa de suciedad, iba creciendo la excitación de don Eulogio. En un momento, indignado, arrojó la calavera, pero antes de que ésta dejara de rodar, se había arrepentido y estaba fuera de su asiento, gateando por el suelo hasta alcanzarla y levantarla con precaución. Supuso entonces que la limpieza sería posible utilizando alguna sustancia grasienta. Por teléfono encargó a la cocina una lata de aceite y esperó en la puerta al mozo, a quien arrancó con violencia la lata de las manos, sin prestar atención a la mirada inquieta con que aquél intentó recorrer la habitación por sobre su hombro. Lleno de zozobra, empapó la bufanda en aceite y, al comienzo con suavidad, después acelerando el ritmo, raspó hasta exasperarse. Pronto comprobó entusiasmado que el remedio era eficaz: una tenue lluvia de polvo cayó a sus pies durante unos minutos, mientras él ni siquiera notaba que se humedecían sus dedos y el borde de los puños. De pronto, puesto en pie de un brinco, admiró la calavera que sostenía sobre su cabeza, limpia, resplandeciente, inmóvil, con unos puntitos como de sudor sobre la ondulante superficie de los pómulos. La envolvió de nuevo, amorosamente; cerró su maletín y salió del Club. El automóvil que ocupó en la puerta lo dejó a la espalda de su casa. Había anochecido. En la fría semioscuridad de la calle se detuvo un momento, temeroso de que la puerta estuviese clausurada. Enervado, estiró su brazo y dio un respingo de felicidad al notar que giraba la manija y la puerta cedía con un corto chirrido.
 
     En ese momento escuchó voces en la pérgola. Estaba tan ensimismado, que incluso había olvidado el motivo de ese trajín febril. Las voces, el movimiento, fueron tan imprevistos que su corazón parecía el balón de oxígeno conectado a un moribundo. Su primer impulso fue agacharse, pero lo hizo con torpeza, resbaló de la piedra y se cayó de bruces. Sintió un dolor agudo en la frente y en la boca un sabor desagradable de tierra mojada, pero no hizo ningún esfuerzo por incorporarse y continuó allí, medio sepultado en las hierbas, respirando fatigosamente, temblando. En la caída había tenido tiempo de elevar la mano que conservaba la calavera, de modo que ésta se mantuvo en el aire, a escasos centímetros del suelo, todavía limpia.

     La pérgola estaba a unos cincuenta metros de su escondite, y don Eulogio oía las voces como un delicado murmullo, sin distinguir lo que decían. Se incorporó trabajosamente. Espiando, vio entonces en medio del arco de los grandes manzanos cuyas raíces tocaban el zócalo del comedor, una silueta clara y esbelta y comprendió que era su hijo. Junto a él había otra, más nítida y pequeña, reclinada con cierto abandono. Era la mujer. Pestañeando, frotando sus ojos trató angustiosamente, pero en vano, de distinguir al niño. Entonces lo oyó reír: una risa cristalina de niño, espontánea, integral, que cruzaba el jardín como un animalito. No esperó más: extrajo la vela de su saco, a tientas juntó ramas, terrones y piedre-citas y trabajó rápidamente hasta asegurar la vela sobre la piedra y colocar a ésta, como un obstáculo, en el sendero. Luego, con extrema delicadeza para evitar que la vela perdiera el equilibrio, colocó encima la calavera. Presa de gran excitación, uniendo sus pestañas al macizo cuerpo aceitado, se alegró: la medida era justa; por el orificio del cráneo asomaba el puntito blanco de la vela, como un nardo. No pudo continuar observando. El padre había elevado la voz y aunque sus palabras eran todavía incomprensibles supo que se dirigía al niño. Hubo como un cambio de palabras entre las tres personas: la voz gruesa del padre, cada vez más enérgica; el rumor melodioso de la mujer, los cortos grititos destemplados del nieto. El ruido cesó de pronto. El silencio fue brevísimo: lo fulminó el nieto, chillando: “Pero conste: hoy acaba el castigo. Dijiste siete días y hoy se acaba. Mañana ya no voy.” Con las últimas palabras escuchó pasos precipitados.

     ¿Venía corriendo? Era el momento decisivo. Don Eulogio venció el ahogo que lo estrangulaba y concluyó su plan. El primer fósforo dio sólo un fugaz hilito azul. El segundo prendió bien. Quemándose las uñas, pero sin sentir dolor, lo mantuvo junto a la calavera, aún segundos después de que la vela estuviera encendida. Dudaba, porque lo que veía no era exactamente la imagen que supuso, cuando una llamarada sorpresiva creció entre sus manos con brusco crujido, como de un pisotón en la hojarasca, y entonces quedó la calavera iluminada del todo, echando fuego por las cuencas, por el cráneo, por la nariz y por la boca. “Se ha prendido toda”, exclamó maravillado. Había quedado inmóvil, repitiendo como un disco: “Fue el aceite, fue el aceite”, estupefacto, embrujado, ante la fascinante calavera enrollada por las llamas.

     Justamente en ese instante escuchó el grito. Un grito salvaje, un alarido de animal recién atravesado por muchísimos venablos. El niño estaba delante de él, con las manos alargadas frente al cuerpo y los dedos crispados. Lívido, estremecido, tenía los ojos y la boca muy abiertos y estaba ahora mudo y rígido pero su garganta, independiente, hacía unos extraños ruidos, roncaba. “Me ha visto, me ha visto”, se decía don Eulogio, con pánico. Pero al mirarlo supo de inmediato que no lo había visto, que su nieto no podía ver otra cosa que aquel llameante rostro de huesos. Sus ojos estaban inmovilizados, con un terror profundo y eterno retratado en ellos, firmemente prendidos al fuego. Todo había sido simultáneo: la llamarada, el aullido espantoso, la visión de esa figura de pantalón corto súbitamente poseída de horror. Pensaba, entusiasmado, que los hechos habían sido más perfectos incluso que su plan, cuando sintió cerca voces y pasos que avanzaban y entonces, ya sin cuidarse del ruido, dio media vuelta y a saltos, apartándose del sendero, destrozando con sus pisadas los macizos de crisantemos y rosales que entreveía en la carrera a medida que lo alcanzaban los reflejos de la llama, cruzó el espacio que lo separaba de la puerta. La atravesó junto con el grito de la mujer, estruendoso también, pero menos puro que el de su nieto. No se detuvo, no volvió la cabeza. En la calle, un viento frío hendió su frente y sus escasos cabellos, pero no lo notó y siguió caminando despacio, rozando con el hombro el muro de la huerta, sonriendo satisfecho, respirando mejor y más tranquilo.




Grandes nomes da literatura hispano-americana: Mário Vargas Llosa

Jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário. Jorge Mario Vargas Llosa nasceu em Arequipa, Peru, em 1936. Passou sua primeira infância em Cochabamba, Bolívia, apenas na companhia de sua mãe e seus avós maternos devido a separação precoce de seus pais. Aos 10 anos de idade, quando o avó obtém um importante cargo político, retorna ao país natal, para a cidade de Piura e mais tarde para Lima. Como aluno interno do Colégio Militar Leoncio Prado, em La Perla, dos 14 aos 16 anos de idade, Llosa vivencia experiências que serão traduzidas, posteriormente, em duas de suas mais importantes obras: "A cidade e os cachorros" e "Batismo de fogo". Narrativas de cunho autobiográfico que têm como enredo o cotidiano violento imposto pelos mais velhos aos novatos do colégio militar, um local de parente controle e profunda hostilidade.
A narrativa autobiográfica será uma constante em suas obras, como também ocorre em "Tia Júlia e o Escrivinhador", "A casa verde" e "Memórias da menina má", onde entrelaça memórias pessoais e criação ficcional.
Com 17 anos ingressa para a Universid Nacional Mayor de San Marco, onde estudou Direito e Letras. Ainda muito jovem, com apenas 19 anos, casa-se com Julia Urquidi (irmã da esposa do seu tio materno), época em que, para sobreviver, tem vários empregos, dentre eles, curiosamente, "revisor de nomes em túmulos nos cemitérios"! Mas dois anos mais tarde, aos 21 anos, recebe uma bolsa de estudos e muda-se para a Espanha, onde obtém o título de Doutor em Filosofia e Letras pela Universidade Complutense de Madrid. Passa a viver em Paris, onde ensina inglês e trabalha como redator no "La Presse"; divorcia-se de Júlia; casa-se com Patrícia, sua prima, com quem teve três filhos.
Sua vida também é fortemente marcada pela atuação política. Em 1983, preside uma comissão que investiga a morte de jornalistas em Ayacucho, durante uma ação do exército contra o grupo Sendero Luminoso; em 1987 inicia um movimento político liberal contra o presidente peruano Alan García e em 1990 é candidato à presidência pelo FREDEMO - uma coalisão de centro direita - mas é vencido no segundo turno por Alberto Fujimori. 
Llosa retorna à Europa, Londres, e retoma suas atividades literárias. Sua experiência política será tema de seu livro "Peixe na água". Em 1994 vence o Prémio Cervantes, o mais importante em língua espanhola, e em 2010 ganha o Prémio Nobel de Literatura., sendo o sexto escritor latino americano a receber um Nobel.
Dentre suas obras, o "Vertendo Palavras" destaca: A história de Mayta; O pantaleão e as visitadoras, A guerra do fim do mundo, Conversa na catedral; Quem matou Palmino Molero?; A festa do bode.

"No meu caso, a literatura é uma espécie de vingança. É algo que me dá aquilo que a vida real não me pode dar - todas as aventuras, todo o sofrimento. Todas as experiências que eu só posso viver na imaginação, a literatura completa-as."
 
 

La cogida y La muerte

Frederico García Lorca (1898-1936)
 
A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.
El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones de bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡Y el toro solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en Punto de la tarde.
Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!
 
 

"En España el andaluz es la lengua del inculto"

Entrevista a Tomás Gutler autor de "En defensa de la lengua andaluza"

Público.Es: ¿Hablan mal los andaluces?
 
Tomás Gutler: No, hablamos de otra forma
 
P.E: ¿Cuál es el origen?
 
T.G: Oficialmente es una malformación del castellano, que comenzó en las zonas más incultas de Andalucía allá por el siglo XVII o XVIII. En mi opinión, es una lengua romance que toma como base el latín de la Bética. Cuando Al-Andalus es conquistada por el resto de territorios de la Península, el andaluz, que durante 800 años fue colonizado por el árabe, lo es ahora por el castellano, curiosamente, la lengua que contribuyó a formar en el centro norte de la Península.
 
P.E: ¿Por qué hay quienes desprecian el andaluz?
 
T.G: Nuestra realidad es la de un pueblo conquistado. Fuera de Andalucía se desprecia porque es la lengua del territorio inculto, la del gracioso y así se promueve en todas las televisiones, principalmente en Canal Sur. Con el gallego ocurría, o se ha intentado que ocurra, pero ellos pertenecen al bando de los ganadores y se han hecho respetar. Otro ejemplo: ¿por qué si un catalán dice "can Jordi" para referise a casa de, es culto, habla una lengua respetada y con historia, y causa risa si un andaluz dice "ca Paco"?
 
P.E: Según la tesis de Juan Soler, ningún madrileño podría dirigir Andalucía.
 
T.G: Los nacionalistas españoles son muy cerrados. Probablemente un madrileño no serviría para candidato en Andalucía porque desconoce la idiosincrasia y la realidad andaluza, pero nada más. De todas formas, Griñán nació en Madrid y en Andalucía se le respeta. Querer traer a la señora Jiménez hasta aquí es más de lo mismo: cuando no se quiere algo, se echa para Andalucía.